Convicção

Convicção
Se o tempo não volta, se não posso corrigir meus erros... Sonho, rio, choro, enlouqueço, mas, prefiro continuar neste palco onde não há ensaios... Marinete Silva

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Diz-me

Diz-me não se recordar de mim
pois eu não, não o esquecerei
até que aparte-me de minha lágrima
e até que enxuguem os meus olhos,
que têm enredos de aprisionar quem os recuse
mesmo que se tente escapar deles
pulando os escudos do sorriso

Neste tempo de beijos disfarçados,
de saídas meditadas
de discursos falsificados,
e de princípios densificados
não se pode afirmar não
sem descobrir uma frincha no coração
não se pode delinear um adeus
que não vá irromper dentre
os nossos corpos

Oh amor,
beija, por mim
os decadentes habitantes de ti
e diz-me se deles a insolência
é tão intensa quanto a minha
absorva o indulto dos apaixonados
do intrínseco de quem nunca o esqueceu
diz-me se o divã de encontro e desencontros
é tão suave quanto o seu afago
presenteia-me com sentimentos e jugos onde há sinceridade
singular separação a resistir e reencontrar
dentre penetrações que retrocedem
em tão escassas esquinas...

Ah diz-me esquecer o amor
pois eu não, não o esquecerei...

Marinete Silva

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