Hoje, olho-me através de meu rosto
neste instante não sei se sou poeta
ou somente uma criança desprotegida
que pela primeira vez está diante de si...
Com pernas delicadas e olhos apagados
que descansam à sombra de sua imaginação
infância adormecida que ainda não passou -
Hoje, em ardor, sobejam os silêncios por meu rosto
tão incansáveis e copiosos...
porém indispensável como a brisa da noite
Hoje, através de meu rosto imperturbável
os que vieram e saíram
não que fossem desleais
saíram somente
Apenas um faz-me ver que o coração anuncia ser habitado
Hoje, todavia, olho-a através de meu rosto
não como a lua que surge mas lua que é somente
visão noturna e magistral
Quanta intensidade é necessária
para deixar a devaneio e ir adiante com o poema
Hoje eu me olho
desobstruo os olhos e a cortina se eleva
neste instante viajo em volantes metáforas
que em mim não cabem mais...
Marinete Silva
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