O olhar recebe a forma
e despreza o essencial
O ouvido dissipa a melodia
As mãos já não contem
o eterno nem o efêmero
O elogio e o lamento
a boca abandonou
Os pés não mais caminham
em alhures
Estranha fieira
o corpo leva
pela estrada concisa
circular, estéril,
solitária e dilacerada
Repulsa ao chão
simulado vôo precoce
Fuga para o sonho
a sina e a paisagem
desprezamos...
O riso, o queixume
o medo, o amor
o inefável que germina
só da terra
o qual os vivos aglomeram
para a morte
mas nós, que flor e prole,
exterminamos...
Que nós atenuamos
a miséria e a avidez
Quando aniquilados,
sentimos o coração oco...
uma lacuna
Marinete Silva
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